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Editorial | Redes sociais: é hora de tirar o pé do acelerador

Já falamos, algumas vezes, sobre mudanças no jornalismo e como elas impactam, seja em nosso trabalho ou no modo como você consome as notícias. Das mudanças às redes sociais, agora a discussão da vez são as notícias falsas (fake news, para os subservientes à “língua dominante”).

Mais um capítulo dessa saga jornalística “bombou” na semana: o Facebook eliminou páginas e perfis de uma rede ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL). Inclinadíssimo à direita (seja lá o que esse espectro signifique hoje), o movimento (?) viu 196 páginas e 87 perfis virarem poeira nas estrelas, acusadas de propagar notícias falsas e, com isso, influenciar os seguidores. “Uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, diz a rede social.

O Facebook surgiu como um oásis para a avalanche de (des)informação produzida nos últimos anos. Jornais apoiaram-se nele (inclusive este SP Norte) para divulgar suas notícias em busca de curtidas e compartilhamentos, muitos gastaram alguns caraminguás tentando alcançar mais públicos.

O debate esvaziou-se. Ao mesmo tempo que a rede social proporcionaria “mais informação”, as bolhas foram se formando. Afinal, os loucos algoritmos vasculham nossas vidas convertidas em cliques a fim de nos oferecer aquilo que mais gostamos. Não se engane: enquanto você está mexendo o cursor do mouse, os robôs eletrônicos estão seguindo-o. Não é por acaso que todas aquelas páginas que você curte aparecem mais que outras. Isso, meu caro, também vale dinheiro – e muito. Para eles, claro.

Em meio a essas mudanças em um ritmo alucinante, foi preciso adequar-se. Aliás, nos adequar: o SP Norte, ciente de que as mudanças algorítmicas do Facebook não proporcionariam que nossa informação chegasse da maneira correta, tirou o pé do acelerador: diminuímos a frequência de publicações, mantendo o conteúdo em nosso site. O “Face” não é – e nem deveria – ser o principal meio propagador de nenhum jornal. É um acessório, e todos (empresas e pessoas) precisam entender isso. Mais além, não necessariamente sair do Facebook, como o jornalão Folha de S. Paulo.

A fragmentação das notícias é perigosa; a bolha é perigosa. De certa maneira, os espaços para debate – em suma, a comunicação – estão ficando restritos aos nossos próprios interesses. Um verniz democrático: você tem tudo à mão, mas não procura e, quando chega, é só o que lhe interessa.

Nesse sentido, entendemos que temos dois meios: o impresso, que atinge uma parcela do público, e nosso site, que alcança outros (e cada vez mais) públicos. Estes, sim, são a nossa matéria-prima, construída com poucas, mas múltiplas vozes, oferecendo ao leitor da Zona Norte não o que ele quer, mas o que é necessário – e possível, dentro das limitações que um jornal regional implica.

foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

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