São Paulo

Nota de Pesar – Ricardo Boechat

O Jornal SP Norte lamenta com profundo pesar a morte do jornalista Ricardo Boechat ocorrida na tarde desta segunda-feira (11/02) e deseja força aos familiares nesse momento difícil.

Sempre preocupado em levar a informação com ética e compromisso com os fatos, Boechat deixa uma lacuna no jornalismo brasileiro.

O jornalista morreu hoje, aos 66 anos. Ele foi vítima de uma queda de helicóptero na cidade de São Paulo.

Segundo informações da BBC News, Boechat voltava de uma palestra em Campinas, a cerca de 100 km da capital paulista, quando a aeronave em que estava caiu no Rodoanel, na Grande SP. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave onde Boechat estava caiu no km 7 da pista, no sentido da rodovia Castello Branco, e atingiu um caminhão. O motorista foi socorrido por uma equipe de socorristas da própria concessionária que administra a via. Além de Boechat, também morreu o piloto do helicóptero, Ronaldo Quattrucci.

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Sem dúvida, Ricardo Boechat fará uma enorme falta ao jornalismo.

Biografia

Ricardo Eugênio Boechat nasceu em 13 de julho de 1952, em Buenos Aires, na Argentina.

Iniciou a carreira em 1970, no extinto Diário de Notícias (RJ), e começou a trabalhar na coluna de Ibrahim Sued. Transferiu-se para O Globo (RJ) em 1983. Em 1987, foi convidado por Moreira Franco, governador do Rio de Janeiro na época, para ser titular da Secretaria de Comunicação Social do Estado. De volta a O Globo, em 1989, se fixou como um dos colunistas mais influentes do país e por lá permaneceu até junho de 2001.

Nessa época, em que houve guerra pelo controle das companhias telefônicas, Boechat teve sua reputação atacada numa reportagem da revista Veja, que relatou que o jornalista revelava ao também jornalista Paulo Marinho, as matérias que seriam publicadas no jornal, sobre o assunto. Paulo Marinho tinha relacionamento com Nelson Tamure, principal acionista da TIM, que estava disputando o controle da Telemig Celular e da Tele Norte Celular. O escândalo revelou telefonemas grampeados e notícias plantadas e envolvimento de grupos poderosos. Vítima desses acontecimentos, Ricardo Boechat foi despedido do jornal.

Em outra situação, Boechat foi o primeiro jornalista a acusar a fragilidade do Painel Eletrônico do Senado Federal, o que resultou num outro grande escândalo,pois ficou-se sabendo que vários senadores sabiam antecipadamente o resultado do painel.Nesse caso, Boechat disse que tinha a lista com o resultado da votação.

Ao sair das Organizações Globo, o jornalista foi  para o Jornal do Brasil, teve participações como colunista no SBT, em notas gravadas na própria redação do JB, para o telejornal apresentado por Hermano Henning. Fez coluna em O Dia (RJ) e foi professor da Faculdade da Cidade.

Entrou para o grupo Bandeirantes, como diretor de Jornalismo no Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2006, mudou-se para São Paulo, para ancorar o Jornal da Band, principal noticiário da emissora. Desempenhava a mesma função no programa diário Jornal do Rio, na rádio BandNews FM. Assinava ainda uma coluna semanal na revista IstoÉ (SP).

Boechat conquistou diversos prêmios em sua carreira, entre eles, três Prêmios Esso – 1989 (reportagem), 1992 (informação política) e 2001 (informação econômica).  Pelo acúmulo de troféus Comunique-se, entrou para a Galeria de Mestres do Jornalismo da competição e passou a ser considerado hors-concours em duas categorias: Apresentador/Âncora de Rádio e Colunista de Notícia.

Também foi eleito o jornalista ‘Mais admirado’ na pesquisa de Jornalistas&Cia em 2014, que elencou os 100 principais profissionais do mercado.

É autor do livro Copacabana Palace – Um Hotel e sua História (DBA, 1998), que resgatou a trajetória do hotel mais exclusivo e sofisticado do País, completando 75 anos de existência no ano da publicação.

Ricardo Boechat morreu na queda do helicóptero que caiu na manhã do dia 11 de fevereiro de 2019 na Rodovia Anhanguera, no trecho do Rodoanel, em São Paulo. Além de Boechat, o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo do piloto da aeronave carbonizado. Boechat deixa a esposa e seis filhos.



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