Turismo

Salvador se agita graças aos eternos Dodô e Osmar

Enfim, nos preparamos para mais um carnaval. Um tempo esperado por muitos, por conta do brilho da folia, pelas incontáveis paixões ou a simples chance de deixar a realidade um pouco de lado e se envolver nas sensações que só a festa dá. Impossível passar em branco o maior carnaval do mundo, brasileiro, então daqui até o fim do mês a seção de Turismo vai passar por algumas das mais lindas festas do Brasil. E abrindo alas, nada mais justo, que falar da terra sinônimo de pluralidade de raças e sincretismo religioso: Salvador.

Dizem que baiano não nasce, estreia, tamanho é o celeiro de artistas da música, da dança, do teatro, das artes plásticas e literatura. Desses artistas, emergiram Dodô e Osmar fundando o trio elétrico – que arrasta multidões pelos circuitos soteropolitanos.

Antes deles, claro, o batuque já existia. Mas saíram das senzalas, ganharam a liberdade e invadiram os terreiros e correram as ruas. E dessas manifestações populares, contrapondo-se aos bailes privados, o primeiro trio elétrico começou a puxar a pipoca pelas ladeiras da capital baiana, em 1950. Mas nada de caminhões com caixas ultrapotentes. Apenas uma fobica – calhambeque com um alto-falante –, invenção de Dodô e Osmar, embalando as músicas que a dupla tocava.

Não demorou muito, surgiram os blocos e Caetano Veloso compôs “Atrás do Trio Elétrico Só Não Vai Quem Já Morreu”, eternizando esse diamante do qual a Bahia honra-se de ser dona. E lá na Praça Castro Alves do ano 1970, o carnaval de Salvador gritou a alforria da libertação cultural e todo mundo botou o bloco na rua. No início dos anos 1990, Daniela Mercury surgiu com a axé music, ritmo que embala mais de uma semana de festa.

Hoje, o planeta espera o carnaval de Salvador, ou imprecisamente o carnaval da Bahia, mais de 700 mil turistas lotam os circuitos ao longo da cidade. Mas o fervo que todo mundo vê na televisão se concentra nos famosos Campo Grande-Praça Castro Alves e Barra-Ondina.

O clima de pluralidade perdeu-se um pouco, por conta da mina de ouro que se tornaram os trios elétricos e seus abadás. Hoje, a pipoca (povão) é literalmente separada daqueles que desembolsaram para estar mais perto dos artistas por um cordão, mas todo mundo pode estar na folia sem pagar nada.

Mesmo assim, a espontaneidade é contagiante e um grande encontro musical de gente que estava nos primórdios da folia baiana e gente da nova geração. Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Carlinhos Brown, Olodum e a própria Daniela são apenas alguns desses anfitriões.

O carnaval de Salvador acontece em um cenário vivo que reúne o nascer e o pôr do sol sobre as águas esmeralda do oceano e celebra a alegria. Saudando a terra e os orixás, a “Baianidade Nagô” da Bamda Mel resume o balanço que veio do ilê: “Eu queria que essa fantasia fosse eterna, quem sabe um dia a paz vence a guerra”.



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