Zona Norte

Sem quadra, sem água e sem merendeiras, a rotina da Escola João Baptista Alves da Silva

Alunos da Escola Estadual João Batista Alves da Silva, localizada no Tremembé, fizeram uma denuncia ao Jornal SP Norte de que o colégio está funcionando sem merendeiras há quase um mês. Para os estudantes não ficarem sem comer, o alimento vem sendo preparado pelos funcionários da área administrativa e professores.

Segundo os educadores, que preferiram não se identificar, o problema surgiu após a mudança de contrato com a empresa terceirizada que prepara a merenda da escola. Eles destacam que a Escola João Baptista não é a única que sofre com o problema: “Ao que me parece são duas empresas [que prestam serviço], então uma parte das escolas na Norte 2 foi afetada com isso” relata um dos professores.

A estudante Ruby Maximo Figueiredo (17), lamentou “Nesse mês a gente ficou sem merendeira. Não tinha quem desse a comida, então tava os diretores, professores e as tias da limpeza fazendo a comida para os alunos”, e completa “Não tinha quem fazer. Tava aquela merenda lá, parada, estragando, e a gente sem comida”.

Segundo a estudante, a merenda escolar é um dos principais alimentos de muitos estudantes “Muitos alunos não tem comida em casa, por vários fatores, alguns deles saem da escola e vão trabalhar, outros não tem onde comer em outro lugar”.

No final de outubro o Jornal SP Norte já havia recebido uma denuncia de alguns pais de alunos em relação a falta de merenda. Na ocasião, os familiares relataram que não foi oferecido merenda aos estudantes. Questionada sobre isso, a Secretaria de Estado da Educação respondeu que a denuncia não era verídica e que mandou fotos para comprovar que a merenda estava sendo servida aos alunos.

No entanto, ao que parece, o problema se arrasta desde então, no qual os funcionários se revezam para preparar a merenda, e que, quando não conseguem devido a rotina de trabalho, os estudantes acabam recebendo apenas a merenda seca, formada basicamente por bolachas, sucos artificiais e fruta.

Foto da quadra da escola. O local não possui piso esportivo, nem traves, rede de vôlei ou cesta de basquete para prática esportiva. Foto: Arquivo Pessoal

8 anos sem quadra

Além da denuncia da merenda, os estudantes criticaram bastante os problemas de estrutura da quadra da escola: “A quadra ela está rachada no meio. Ela está desmoronando”, relata Ruby. Segundo relatos dos estudantes e professores, o problema começou em 2011.

Atualmente a quadra está interditada por oferecer riscos aos alunos e funcionários. Devido a isso os estudantes ficam “presos” nas salas de aula “A gente está cansada de passar todo esse tempo sem quadra, porque é importante que os alunos façam exercícios físicos. A gente não tem educação física praticamente, passamos o dia na sala de aula jogando dama”, lamenta a aluna.

Falta de água

Outro problema antigo do colégio é a falta de água, a estudante Lucia (nome fictício, pois a aluna não quer ser identificada), revela: “Eu estou na escola desde 2014 e sempre houveram problemas com a caixa de água. Vi todos os documentos da direção e parece que está se arrastando desde 2012. É um problema na bomba da caixa”.

Outro estudante que reclama da falta de água é Felipe Xavier Araújo (17): “A caixa d’água que fornece água pra nós está precisando de uma manutenção, praticamente virou rotina não ter água na escola”. Por fim, Lucia lamenta: “Todos os problemas da escola estão sendo ignorados há anos”.

Fotos: Arquivo Pessoal

Infraestrutura

Além dos problemas levantados, a escola apresenta diversas rachaduras e problemas estruturas “Até a escada tem um desnível visível” relata Lucia, que comenta: “Alguns alunos tem foto da escada e das rachaduras na estrutura, mas acho difícil que alguém tenha coragem de subir na quadra”.

Segundo Ruby, parte dessas rachaduras são causadas pelos problemas na quadra “A estrutura dela [quadra] está caindo, e com isso ela está puxando a escola também, e isso causa vários problemas de infraestrutura”, e finaliza: “Nenhum arquiteto e nenhum engenheiro foi lá ver se a escola corre risco”.

O que diz a Secretária de Educação?

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino Norte informou que ” engenheiros da Fundação Para o Desenvolvimento da Educação (FDE) estiveram hoje (27) na escola fazendo uma avaliação técnica na unidade para reparos paliativos no encanamento e caixa d’água”.

Em relação a merenda escolar, a pasta declara que um “contrato emergencial para admissão de merendeiras está sendo finalizado e deve ser concluído nos próximos dias. Assim como também está em andamento o processo licitatório para uma empresa assumir o serviço”.

A nota destaca que “os alunos não estão sem alimento, já que está sendo oferecido a merenda não manipulada”, ou seja, a merenda seca.

Por fim, sobre a situação da quadra a Secretária responde que “Uma licitação será realizada para reforma na quadra de esportes”, no entanto a nota não dá nenhum prazo para a solução do problema.



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