Zona Norte

Sítio Morrinhos e Horto Florestal participam da 16ª Semana de Museus

Como transmitir às novas gerações nossa história? Quando falamos em “nossa história”, entende-se não somente o passado do nosso lugar, nosso país e, sim, do ser – humano ou não. Se a expressão “isso é coisa de museu” já é tão antiga quanto ser “do arco da velha”, hoje a tarefa de tornar os museus locais mais atrativos é cada vez maior.

Mesmo que as novas tecnologias permitam que visitemos locais sem sair da cadeira – como o projeto Google Arts & Culture, que permite ver obras e locais históricos em qualquer tela – a experiência de ir a um museu supera, de longe, qualquer experiência tecnológica imersiva. Ainda assim, são duas coisas atualmente indissociáveis.

É nesse contexto que de 14 a 20 de maio será realizada a 16ª Semana de Museus em todo o país. Com um público cada vez mais exigente, a abordagem é fundamental. Por isso, o tema deste ano é Museus Hiperconectados: novas abordagens, novos públicos, de maneira a atrair os antigos e novos (tele)espectadores.

O tema também questiona o que fazer nesse cenário. Afinal, nem todos os brasileiros são conectados. Dados de 2016 mostram que 46% da população está offline. Como inserir essas pessoas que não tem acesso às informações? Qual outra maneira de mostrar a história para além da internet? Como os museus podem unir as diferentes camadas da sociedade, sobretudo nos centros urbanos?

“Mesmo com o destaque para o aspecto digital, ressaltamos o papel essencial das relações interpessoais nos museus: as memórias têm cheiro, cor, gosto…e isso é ainda demasiadamente humano”, afirma o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que organiza o evento.

O momento é importante para a museologia brasileira, já que o Ibram está comemorando 200 anos – o marco inicial é a criação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Antes chamado de Museu Real, o local foi criado em 6 de junho de 1818 por Dom João VI e pensado para disseminar o conhecimento e os estudos de ciências naturais. O Ibram calcula que o Brasil tem atualmente 3,8 mil instituições.

Na Zona Norte, cinco locais fazem parte da programação. Na Capital, espaços conhecidos como a Caixa Cultural São Paulo, e os museus da Imagem e do Som, da Imigração e do Futebol também fazem parte da Semana. A programação completa está disponível em guiadaprogramacao.museus.gov.br. Confira abaixo os eventos que serão realizados por aqui: 

Ferrovia Parque Perus Pirapora (Perus)

Endereço: Rua Bananal do Rio, 168 – Casa – Vila Caiúba
Telefone: 4442-2012 / 3971-1500

A atividade fará a ligação de três museus temáticos da Zona Norte, com o incentivo da intervisitação por meio do programa Q2Museus, do site institutoferrovias.com. A ferrovia, inaugurada em 1914, supria a matéria-prima da primeira fábrica de cimento do Brasil, em Perus. Era uma época em que a metrópole crescia a plenos pulmões, fazendo com que esses trilhos contribuíssem para o progresso da Cidade.
Quando: 19/5 (sábado), das 10h às 14h30

Museu da Cidade de São Paulo – Sítio Morrinhos (Jardim São Bento)

Endereço: Rua Santo Anselmo, 102
Telefone: 3105-6118

O espaço que guarda a arqueologia da Cidade fará visitas educativas, estimulando a reflexão sobre o patrimônio e a Capital. O Sítio Morrinhos possui um acervo com itens de muito antes da chegada dos portugueses a terras brasileiras.
Quando: 15 a 20/5, das 10h às 11h30 e das 14h às 15h30

Museu Florestal Octávio Vecchi (Horto Florestal)

Endereço: Rua do Horto, 931
Telefone: 2231-8555 / 2231-8049

Temas folclóricos e conexão com a natureza dão o tom na contação de história, voltada ao público infantil, mas aberta a todos os públicos.
Quando: 14 a 16/5, das 11h às 16h (com sessões de 45 minutos)

Pesquisadores e funcionários vão resgatar a história do Museu Florestal em uma roda de conversa, conectando o lugar com sua própria história.
Quando: 17/5, das 14h30 às 16h30

Para ampliar o acesso a informações sobre o acervo do Museu, serão inseridos links com QR Code (uma espécie de código de barras, só que em formato quadrado) nos itens, além de disponibilizar textos em inglês, espanhol e francês.
Quando: 18/5

A ligação com a natureza, uma das vocações do Museu, será colocada em prática com a atividade sensorial Conexões. Por meio de um percurso lúdico, os participantes receberão estímulos olfativos, táteis e sonoros.
Quando: 19 e 20/5, das 10h às 14h.

Museu Leasowe Castle House (Pirituba)

Endereço: Av. Paula Ferreira, 2159 – Casa
Telefone: 9918-49136 / 5531-9331

Uma das atividades mais instigantes da semana serão as aulas de taxidermia vitoriana e eduardiana. A técnica consiste em preservar ou reproduzir animais para estudo ou exibição, mantendo suas características externas (pele, pelo e tamanhos). Haverá também uma ação educativa de zoologia sul-americana argentina para índios tupiguaranis, estudantes e deficientes visuais.
Quando: até 30/7, das 12h às 18h

Zona Norte possui deficiência na área de museus

Ainda que o número de locais na Zona Norte tenha aumentado em relação ao ano passado – de dois para cinco (a ETEC do Parque da Juventude também participa, mas com programação anterior à semana), o número de atividades na região é baixo quando comparado a outras regiões.

É um reflexo da deficiência da região (e em boa parte da cidade) em oferecer museus à população. Conforme revela o Mapa da Desigualdade 2017, elaborado pela Rede Nossa São Paulo, dos 96 distritos da Capital, apenas 36 possuem museus por 10 mil habitantes.

Indicação do Sítio Morrinhos, na Av. Braz Leme

Na Zona Norte, entre os 36 distritos, apenas cinco (Santana, Mandaqui, Casa Verde, Jaçanã e Tucuruvi) aparecem com algum número na lista. Para efeito de comparação, a Sé, no Centro, possui um índice de 4,32 museus por 10 mil habitantes. Em Santana, que possui o melhor número, esse índice chega a 0,355.

A notícia boa é que os índices desses distritos, em sua maioria, melhoraram – mas de forma tímida, quase ínfima. Santana tinha 0,352 em 2016. A Casa Verde passou de 0,118 para 0,236. O Tucuruvi, que não figurava na lista anterior, tem um índice de 0,105. O Jaçanã permaneceu com 0,106, e o Mandaqui caiu de 0,186 para 0,903.

A íntegra do Mapa da Desigualdade 2017 pode ser conferido aqui.



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