Editorial

Editorial | Somos uma sociedade condenada?

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em autossacrifício, então, poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

Ayn Rand, filósofa norte-americana de origem judaico-russa (1905-1982)

Esta reflexão, escrita há aproximadamente cem anos, retratando uma ideologia social/comunista, imposta a um país, em 1917, por meio da Revolução Russa, na qual a autora presenciou e, posteriormente, refugiou-se nos Estados Unidos, onde completou uma carreira brilhante de escritora, continua latente e atual em vários países do mundo.

Cito esses dizeres de Ayn Rand, porque talvez nos identifiquemos como país e sociedade de diversas maneiras com ela, basta aplicar o princípio da interpretação:

“No Brasil, se você quiser empreender ou produzir, deverá ter como sócio majoritário um governo que nada produz e nada faz, já que a carga tributária ultrapassa 51% em certas atividades.

Além disso, em muitos casos em que aqueles que se submetem a produzir e empreender de forma rápida, é necessário dar dinheiro àqueles que negociam não bens ou serviços, mas favores; que, sem trabalharem, enriquecem a ambos além de criarem influencias políticas, sociais e de mercado, e , na maioria das vezes, estão em conformidade com Leis ou Decretos Leis que foram delineados especificamente para isso, ou até mesmo passam impunes pelas Leis brandas que a justiça do país oferece. E ainda nada podemos fazer, já que a própria legislação os protegem.

A corrupção desenfreada que assolou o Brasil, onde políticos roubaram bilhões de nossos cofres públicos, foi sem dúvida recompensada a eles com penas leves e muitos direitos políticos e sociais ainda mantidos, sem mencionar aqueles ainda que nem sequer foram julgados e continuam exercendo seus cargos e se autoproclamando inocentes revertendo a culpa aos honestos, lhes impondo o enorme sacrifício de manterem suas empresas abertas, e outros, seus empregos garantidos, mas que, em milhões de casos, estas pessoas honestas não conseguiram suportar e fecharam suas empresas e, consequentemente, outros perderam seus empregos.

Então, podemos afirmar sem medo de errar que somos uma sociedade condenada?”

No texto de Ayn Rand, este último parágrafo está como afirmação, e na interpretação coloco como uma interrogação, pois a sua interpretação poderá ser diferente da minha, assim como seu voto poderá ser diferente do meu.

Mas fica evidente que no país em que se houvesse uma pequena possibilidade da maioria dos políticos presos serem soltos e tiverem seus direitos políticos podendo concorrer à próxima eleição, não tenho dúvida que seriam eleitos e com uma grande margem de votos.

As eleições estão chegando e temos por obrigação mudar o enredo dessa história. Para isso, basta chegar à conclusão se estamos ou não condenados.


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

samirtrad@terra.com.br



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