Histórias

Superação e talento: conheça o tenista Fábio Bernardes

Um dos atletas que vai participar do Parapan de Jovens é o mineiro, nascido em Ituiutaba e hoje em Uberlândia, Fábio Bernardes. O garoto, de apenas de 17 anos, é um dos favoritos a levar medalha para casa, disputando o “Tênis em Cadeira de Rodas”.

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Fábio, que é conhecido mundialmente pelos grandes títulos já conquistados ainda menino, também carrega uma história de superação de vida, tão grandiosa quanto suas inúmeras conquistas.
O começo, em uma simples aula de tênis, transformou Fábio em um dos maiores talentos da modalidade. O processo de aprendizado e incentivo teve uma representação fundamental com os métodos de ensino propostos por Raphael Oliveira, seu técnico e professor.

foto: Reprodução/Facebook

Fábio explica, em entrevista por telefone, que no início foi difícil, por nenhum professor querer se envolver com o trabalho desafiador. Porém, a vontade que Oliveira tinha de conhecer novas maneiras de exercer sua formação no esporte o levou a acreditar no jovem talento. Fato que, segundo Fábio, mudou a vida do treinador. “Quando eu comecei, procurei os melhores professores da cidade, mas não tiveram o interesse de me treinar. Aí o rapaz [Oliveira] de 18 anos [na época], disse ‘eu topo’, e hoje em dia ele é um dos melhores professores daqui”, salienta o garoto.

Graças ao trabalho profissional efetuado por seu treinador e o talento próprio de Fábio, muitos títulos e principalmente respeito, foram conquistados por ambos. Para Fábio, sua maior conquista, além de estar participando profissionalmente de grandes torneios de tênis de cadeira de rodas, foi o torneio organizado por Gustavo “Guga” Kuerten, um dos maiores atletas da história do tênis. O torneio faz parte do projeto social que promove competições com a Semana Guga Kuerten. Na competição, Fábio mostrou a que veio e levou o título em 2014.

“O torneio dele [Guga] vale muitos pontos ao ranking e acontece todo ano. Fui campeão lá uma vez e foi muito legal por ser uma copa importante”, ressalta Fábio. “Vencer o torneio do Guga, que ele investe e é o torneio que mais vale hoje aqui no Brasil é muito bom para a carreira”, exalta o tenista.

Fábio possui um currículo invejável, com vários títulos importantes conquistados. Entre suas maiores vitórias, estão o vice-campeonato das Paralimpíadas Escolares, em 2011, as medalhas de bronze nas categorias individuais e duplas, e de prata na modalidade mista dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, em 2013, na Argentina.

Também se consagrou campeão em 2014 de campeonatos importantes, que possuem ligação de pontos direta com o ranking oficial: o Butija Wheelchair Tennis Cup, em Belo Horizonte, e o Torneio Profissional de Tênis em Cadeiras de Rodas, na Semana Guga Kuerten. Além disso, o jovem ocupa a sexta posição no ranking mundial juvenil pela International Tennis Federation (ITF) e atualmente é único brasileiro representante da Cruyff Foundation Junior Masters, realizado na França.

Do basquete para o tênis

Mas, antes de descobrir o tênis, o jovem tenista começou no basquete em cadeira de rodas. Chegou a participar de partidas no início de sua prática esportiva, mas a falta de times o fez mudar de ideia.
Fábio explica: “eu mudei de cidade [para Uberlândia, aos 9 anos], e quando voltei, fui procurar o basquete novamente, só que o time tinha acabado. E por um acaso estava andando aqui por um clube da minha cidade e vi um senhor jogando tênis de cadeiras de rodas, e junto com ele, meu [futuro] professor. Fui chegando perto, comecei a fazer aulas, gostei do tênis e nem procurei mais o basquete”, conta.

Dentre as diversas dificuldades presentes na vida dos deficientes físicos, Fabio dá exemplo e, seguro, afirma que não vê e viu nenhum grande problema que o fizesse desistir de sua vontade. Uma grande demonstração de maturidade e firmeza diante de seus objetivos.

Dificuldades do esporte paralímpico

O jovem e promissor atleta destaca problemas de investimento e financeiros ligados aos atletas paralímpicos. Segundo Fabio, o investimento é baixo e poucos recursos ficam disponíveis para uso. Muitas vezes o atleta tem que bancar serviços e produtos básicos que devem ser disponibilizados por comitês e federações. Uma realidade decepcionante, sobretudo após os Jogos Olímpicos do Rio em 2016, que prometiam uma guinada no esporte brasileiro.

De acordo com o garoto, “é uma coisa que eu sempre questiono muito. Se falta muito para os esportes de andantes, aos Paralímpicos falta muito ainda. Tanto questões de verba para viajar, quanto premiação em dinheiro do torneio, é muito inferior ao dos andantes”, afirma o jovem, que clama por mais recursos aos atletas paralímpicos há um bom tempo.

Sobre o Parapan-Americanos de Jovens, Fábio acredita que os oponentes que prometem dar mais trabalho durante a competição são os próprios brasileiros. “Meu maior adversário que eu acho, pelos nomes que vão estar lá, é o outro brasileiro que vai comigo. Então, a gente provavelmente vai se enfrentar e eu acho que quem vai dar mais trabalho é ele”, explica Fabio. O “outro brasileiro” é Jucélio Torquato, que completa a delegação de tênis em cadeira de rodas com as garotas Jade Moreira e Maria Fernanda Alves.

foto (topo): Agência Minas



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