Editorial

Editorial | Temos apenas uma semana para decidir nosso futuro

Estamos a uma semana de mais um pleito eleitoral. É, sem dúvida, o mais importante desde a redemocratização do país. Porém, os debates permanecem inflamados. Seja na conversa com amigos ou colegas, seja nas redes sociais, a discussão descamba para algo perigoso.

Provavelmente, um reflexo dos discursos, sobretudo, dos presidenciáveis. Há brados inconsequentes, declarações racistas, do poder pelo poder – algo como “Eu faço e eu posso, e nada vai me impedir”, esquecendo-se de que é o povo que autoriza ou impede algo, para isso existem as eleições em uma democracia. Há outros que prometem a recuperação de empregos assim como realizado por um ex-presidente e hoje presidiário. Há os que pregam o ódio entre religiões e irmandades, bradando aos quatro cantos que pretendem acabar com elas. Ou, ainda, de que os brasileiros inadimplentes terão findas suas dívidas, seus nomes retirados dos serviços de crédito. Esses e muitos outros discursos que se apagam em meio às curtidas e compartilhamentos, ou discursos mais assertivos que até chegam no âmago do povo, mas não são suficientes para colocar o país em seu curso ideal.

Em meio a uma disputa polarizada, acabamos por nos concentrar no pleito presidencial, esquecendo-nos de que estas eleições não apenas definirão o tal “futuro do país”, mas se estende a todos os outros cargos tão importantes quanto o do chefe máximo do executivo. Não nos esqueçamos de que vices-presidentes também entraram no jogo… Os cargos no Congresso Nacional, no caso de Senadores, são de grande peso, já que neste pleito devemos escolher dois representantes de nosso Estado. Com a escolha dupla, podemos dar um tiro no pé ao eleger dois representantes opostos no espectro político-partidário. Neste caso, a avaliação do histórico e perfil político de cada candidato deve ser cuidadosa, afim de termos uma representatividade paulista mais homogênea no Senado.

Ainda no Congresso, elegeremos o Deputado Federal. Igualmente aos Senadores, “negociam” por leis e projetos de lei. É algo intrínseco à estrutura política, a negociação. No Brasil, porém, ela toma contornos mais sombrios. É neste momento, portanto, que temos a oportunidade de escolher aqueles que realmente já fizeram algo por nossa legislação, além de dar a chance aos “novatos”, mas que merecem ingressarem na política para dar o exemplo àqueles que por lá só deixaram manchas.

Para o cargo de Governador, o paulista vê uma disputa, muitas vezes, rasteira. Os mesmos discursos inflamados: “o velho que se diz novo porque emagreceu e tirou a barba”, um ataque baixo; ou “o novo que aqui chegou como ‘gari’ na gestão municipal e se transformou em velho político, com a mesma estratégia de seus antecessores”. Em meio ao bangue-bangue, as ideias mirabolantes pairam no ar, para uma gestão do Estado mais rico da América Latina. Uma característica inequívoca de que a escolha do executivo estadual é sobremaneira importante, um governador que não irá tripudiar em um Estado que tem muito a prosperar e gerar (mais) riquezas.

Ao lado dos governadores, a escolha dos deputados estaduais merece a mesma atenção, já que um acaba por depender do outro. E eles, a nossa fiscalização cerrada.

Repetindo: é preciso pesquisar, avaliar, comparar e conhecer as alianças entre partidos, pois não adianta eleger um líder executivo de esquerda e um legislador de direita e vice-versa. E o mais importante: um candidato totalmente ficha limpa, sem qualquer mancha em sua carreira política ou em sua vida pessoal. O Brasil não aguentará mais quatro anos nas mãos daqueles que governam apenas para si.

 


Samir-Mohamed-TradDiretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

samirtrad@terra.com.br



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