Histórias

“Tremembé Things”: mistérios nos 127 anos do bairro

Se você acessa o site do SP Norte ou as redes sociais, deve ter se deparado com notícias sobre a série Stranger Things, da Netflix. Também deve ter visto que o SBT passou um especial, bem à moda da casa, traduzindo o nome da atração para “Bagulhos Sinistros”. Silvio Santos até fez propaganda da série – com direito a tradução literal, “coisas estranhas”, no último Teleton.

A série é uma das mais aclamadas pelo público e pela crítica, e mostra a aventura de um grupo de crianças na – até então – pacata (e fictícia) cidade de Hawkins, nos Estados Unidos. Mas, um “bagulho sinistro” acontece: seres estranhos, poderes, o tal mundo invertido… A série se passa na década de 1980, ou seja: uma avalanche de referências do período histórico para a arte e cultura que estão deixando os fãs enlouquecidos!

Já que a onda é Stranger Things, vamos relacionar a série com o aniversário do Tremembé, que completa 127 anos na sexta-feira (10/11). E, fique tranquilo, leitor: “coisas estranhas” existem em todos os lugares e, aqui, é só uma brincadeira! Aliás, Stranger Things é uma série que não fala apenas de estranhezas: é uma lição de vida, por meio da inocência, fé, esperança, laços familiares, o convívio com as diferenças e os laços de amizade.

O inicial mundo invertido

Se na série o mundo invertido é, provavelmente, outra dimensão, onde tudo ganha uma cara um tanto assustadora, a origem do nome Tremembé pode ser um mundo bem estranho. Em língua tupi, o nome do bairro personifica aquilo que era visto em tempos primórdios: um terreno encharcado, parecido com um pântano. É claro que, atualmente, este cenário já não mais existe, devido sua forte expansão urbana durante o século XX.

Caminhos sinistros

Bicicletas são um elemento básico na rotina dos moradores de Hawkins e das crianças aventureiras. Foi em um acidente de bike que Will desapareceu – aliás, em 6 de novembro de 1983 que o garoto foi parar no mundo invertido. Se as bikes levavam a lugares estranhos, como o sinistro Laboratório da cidade, os primeiros moradores do Tremembé conheceram um local completamente diferente: na época, a instalação da ferrovia Tranway da Cantareira, criada primeiramente para suprir o abastecimento de água em São Paulo, foi o primeiro passo à expansão do bairro.

 

E que o diga Adoniran Barbosa: a ferrovia tornou-se também um meio de transporte, fato que alavancou o crescimento do bairro. Aliás, mesmo que Adoniran quisesse pegar o famoso Trem das Onze, o horário não era muito propício a isso: às “onze horas”, o trem já não passava mais, e com certeza sua mãe não o deixaria fazê-lo, ainda mais depois de Will ser pego pelo Devorador de Mentes. Nessa onda Stranger Things, onde tudo pode acontecer!

Portais escondidos

Calma, meu caro leitor, os tais portais são apenas fontes de água doce históricas escondidas pela região, localizadas especificamente, no terreno do Supermercado Sonda (Av. Maria Amália Lopes de Azevedo, 1.251), na Vila Albertina (Av. Nova Cantareira) e Fontális (também na Maria Amália Lopes de Azevedo). Responsáveis pelo abastecimento potável dos moradores, hoje encontram-se abandonadas, sem que o poder público mova uma mão (assim como a personagem Eleven) para melhorar a situação.

 

Outro “portal” está na Praça Dona Mariquinha Sciascia. É ali, em meio à tranquilidade, que existia a estação de trem Tremembé.

Seria a praça o caminho para o “mundo invertido”? Falando sério, a região vive momentos estranhos, já que a febre amarela (leia mais na página 3) colocou toda a população em alerta.

 

Que o Tremembé permaneça sem o “devorador de mentes” – nosso velho conhecido aedes aegypti, causador de dengue e febre amarela – e que, cada vez mais, mantenha a esperança de melhores dias, a “amizade” com os “parceiros” e vizinhos Jaçanã, Tucuruvi e Mandaqui – e com toda a Zona Norte!

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