Zona Norte

Vamos falar do saneamento básico na Zona Norte?

O tema é caro. Porém, minimamente debatido. Você, morador e eleitor da Zona Norte, responda: lembra-se de quando algum candidato falou sobre saneamento básico de forma tão marcante quanto saúde e educação? Ou, ainda, se o tema foi sorteado naqueles debates tão mecânicos quanto macarrônicos? Bem, provavelmente a resposta é a mesma para a maioria: o tema é ignorado.

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Como você pode ler mais no texto ao lado, saneamento básico é uma prerrogativa da saúde, algo tão fundamental quanto. Afinal, sem saneamento, os moradores ficam doentes e, consequentemente, lotam os hospitais. Como a maioria dos moradores que vive com pouco ou nenhum tratamento de esgoto depende do poder público, a crise se agrava com a propagação de doenças que podem levar a óbito. Para esclarecer a situação, o SP Norte pediu à Sabesp dados, números e informações sobre programas e ações realizadas no âmbito do saneamento básico, como tratamento de água e esgoto.

A companhia destaca o retorno do Programa Córrego Limpo, a partir do último mês de abril. No total, foram despoluídos 149 córregos – uma área que abrange 2,2 milhões de pessoas. O objetivo é melhorar a qualidade da água por meio de mudanças no sistema de esgotamento sanitário nas proximidades dos córregos, além de manutenção e trabalhos de educação ambiental.

Com o Córrego Limpo, a Sabesp faz a manutenção e realiza obras mais incisivas, enquanto as prefeituras regionais são encarregadas pela limpeza do leito e das margens, além de manutenção das galerias pluviais. Em nota, a companhia destaca a recuperação do Córrego Mandaqui e dos afluentes, depois de identificar ligações clandestinas. A expectativa é que o Córrego Casa Verde também seja incluído no projeto.

No Jardim Guançã, a Unidade de Gerenciamento Regional (UGR) Santana regularizou o fornecimento de água no Núcleo Violão, região que abriga aproximadamente 3 mil moradores. Além da regularização, a substituição de redes antigas de água vai chegar à Casa Verde, com substituição de mais de 50 quilômetros de redes de esgoto até 2019. As obras têm previsão de começar no fim deste ano.

Córrego Paciência

Ainda na Zona Norte, o Projeto Tietê concentra obras em duas bacias na região: dos rios Cabuçu de Cima e Cabuçu de Baixo, que passam por vários bairros próximos, à Serra da Cantareira. Nesses locais, que há anos reclamam melhorias estruturais de saúde e habitação, o cenário é bem parecido com algumas cidades do interior das regiões Norte e Nordeste do país onde o saneamento básico é praticamente nulo.

O Córrego Paciência é outro exemplo que há anos é debatido. Localizado na região de Jaçanã/Tremembé, as ações ali realizadas não atingiram o objetivo final, ainda que sejam realizados limpeza e desassoreamento nas margens. São localidades onde o esgoto ainda persiste, a céu aberto, ao lado de moradias.

O governo estadual anunciou na última segunda-feira (15/5) a capitalização da Sabesp na Bolsa de Valores de Nova Iorque. O objetivo é estudar a criação de uma holding de saneamento básico, que incluirá a companhia e outras empresas e, consequentemente, mais investimentos.

Por um lado, a situação evidencia: o Estado perdeu a capacidade de garantir um serviço básico à população. Por outro, a alternativa pode garantir melhorias aos moradores, desde que respeitadas as condições. Água é um bem comum, público. Isso que precisa ficar claro – e cristalino.



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