Carnaval 2019

Viva Hayastan: conheça o enredo da Rosas de Ouro para o Carnaval 2019

A rosa de ouro é uma das mais altas condecorações da humanidade. O ornamento feito de ouro, abençoado pelo Papa da Igreja Católica, é destinado a personalidades, igrejas ou localidades que tenham feito benfeitorias ou representem fidelidade à Santa Sé. A Princesa Isabel e a Basílica de Aparecida são alguns dos condecorados com a joia.

De acordo com Leão XIII, 256º Papa, o ornamento dourado representa a majestade de Cristo. Este, “o lírio dos vales”, “a flor do campo”, conforme passagens bíblicas. A fragrância da rosa, “o odor doce de Cristo que deve ser difundido extensamente por seus seguidores fiéis”. Os espinhos fazem menção à paixão do filho de Deus.

Conta a lenda – ou a história, tão cheia de detalhes e muitas vezes incerta – que a rosa de ouro deriva das chaves de ouro, criada pelo Papa Gregório II. E é essa história que origina o nome da Sociedade Rosas de Ouro, em que o mesmo Papa Gregório II teria instituído a rosa dourada. Até mesmo o L’Osservatore Romano, jornal religioso do Vaticano, afirma “que atribuía a um beato Gregório Papa a introdução de tal rito. É difícil dizer de qual beato se tratava”. A data da criação do ornamento é incerta.

Todos esses detalhes para fazer conexões e mostrar as coincidências com o enredo que a Roseira escolheu para o Carnaval 2019: a doce rosa ganhará a companhia do odor da romã, fruta que simboliza fertilidade e abundância, um dos símbolos de um país que tem como símbolo histórico um outro Gregório. Este, O Iluminador, foi primeiro líder da Igreja Apostólica oficial de uma nação pioneira ao se declarar cristã no mundo.

Em suma, no carnaval de 2019, a Rosas de Ouro cantará a história da Armênia, com o enredo “Viva Hayastan”. O anúncio foi feito na última sexta-feira (8/6), na quadra da escola.

Para nós, brasileiros, o país é referência em gastronomia. Afinal, a culinária do país é difundida aos montes: esfiha, kebab, bastarma, sujuk… Um banquete de alegria, proporcionado por um povo que fugiu do genocídio armênio – um dos mais sangrentos capítulos da história da humanidade -, há pouco mais de 100 anos, pelo governo otomano (atual Turquia).

Os doces e sabores tiveram morada em um lugar bem perto da Zona Norte, o Bom Retiro. Não à toa, há uma estação de metrô com o nome do país, além de ter as igrejas Católica e Apostólica Armênias, na Av. Santos Dumont, considerado o marco dessa população na Capital. Até mesmo por aqui a influência armênia se espalhou, sobretudo em Santana.

Há também na memória os vários sobrenomes (“ian”, que significa “filho de”) conhecidos do brasileiro. Afinal, ficamos “na chon!” com a inesquecível Dona Armênia, personagem da também filha de armênios Aracy Balabanian, na novela Rainha da Sucata.

Na chon! Aracy Balabanian em cena com Dona Armênia (foto: Nelson di Rago/TV Globo)

Aliás, a trama de 1992, escrita por Sílvio de Abreu, tinha como cenário justamente o bairro de Santana. Os pais da protagonista Maria do Carmo (Regina Duarte), Onofre (Lima Duarte) e Neiva (Nicette Bruno), moravam no local.

Um enredo carregado de história, de um país forjado em um dos berços da humanidade, e muito bem vindo. Afinal, o Carnaval de São Paulo, afeito a mostrar enredos de países intimamente ligados com a cultura do samba, precisa mostrar também aqueles que ajudaram a construir a história e a cultura da metrópole. Uma metrópole cantada intimamente em verso e prosa pela Rosas de Ouro em tantos e campeões carnavais.

O tema da Roseira para o Carnaval 2019 foi o 10º a ser apresentado, restando quatro escolas. A Tucuruvi anuncia seu enredo neste sábado (9/6); apenas Vila Maria, Vai-Vai e Águia de Ouro definirem o que levarão para o Anhembi no próximo ano. A Rosas de Ouro desfilará na segunda noite de desfiles, em 2 de março.



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