Mulher

Dia das Mães, Dia de Luta

O tempo – ou melhor, nossos novos tempos – encarregou-se de esconder a origem de uma data. Não é uma data qualquer: é o dia de quem gera e mantém uma vida. É ventre e verdade, é parto e parâmetro, é nascimento e necessidade. Enfim, é mãe.

O segundo domingo de maio se faz sentir em uma dezena de países. Em outros lugares, as mães são celebradas ainda em fevereiro, como na Noruega. Em outros, possuem datas fixas, como o 7 de abril grego. E é da Grécia que são dadas as primeiras pistas da celebração.

Em meio a guerras e bacanais, as mães eram veneradas “nos idos de março”, conforme explica a Enciclopédia Britânica. Enquanto a primavera chegava, os gregos festejavam a estação por meio da mãe dos deuses, Rhea. Cerimônias mitológicas, ofertadas à deusa, se faziam ouvir em todo território grego.

Hoje, pedimos aos deuses – seja qual for o seu, mesmo se não for nenhum – proteção. Afinal, uma data surgida de lutas ainda persiste. Ann Maria Reeves Jarvis pedia a diminuição da mortalidade infantil em famílias de trabalhadores. Onde? Os Estados Unidos de 1865. Na época, a Guerra de Secessão explodia, e outra americana – a escritora Julia Ward – pedia paz e desarmamento depois do conflito. Filhos perdidos, mães em luta…

…também aqui no Brasil. Depois do direito ao voto, mulheres da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino foram, literalmente, “pra cima” do governo de Getúlio Vargas. Isso em 1932.

Oitenta e cinco anos depois, seguem as lutas. Um país difícil, complicado, que cresce ao mesmo tempo que retrocede, que vê mães se desdobrando para cuidar dos filhos e do trabalho. Futuras mães que têm esse desejo mais distante por priorizar o trabalho. Mães que veem a ordem natural das coisas ser rompida. Mães precoces, mães acidentais.
“Alguém prevenia: filho é pro mundo. Não, o meu é meu!”, já diz dona Jacira (na foto ao lado), mãe do rapper Emicida. Das periferias da Zona Norte, um exemplo da mãe e mulher de luta, de um lugar onde a vida não é fácil, onde “O seu Zé do doce socorreu / Seu Zé é a representação do estado no Jardim Fontális / Talvez ainda até hoje”, como diz os versos de “Crisântemo”, música que narra a morte de Miguel, pai do artista.

Na mitologia, a adoração à deusa Rhea. Nas quebradas, pelas ruas, “quando disser que vi Deus / Ele era uma mulher preta”.



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