Editorial

Editorial | Que nos sirva de lição

Das 19h30 às 23h do último domingo, assisti passivamente, de meu sofá, milhares de anos em história da humanidade e do Brasil serem destruídos sem pronunciar qualquer comentário a respeito, apenas observando o fogo arder sem dó e avaliando o que estava acontecendo.

Acredito que a maioria dos brasileiros esboçou ao menos um simples “que pena”, “que tragédia”, “que absurdo”. Mas, após tudo aquilo, desligou-se a TV, fomos dormir e, na segunda-feira, retomamos nossas vidas como se nada tivesse acontecido.

A destruição de praticamente tudo que havia no Museu Nacional é algo gravíssimo, e temos que ficar estarrecidos, preocupados e tristes. Não apenas pelo acervo milenar e pelo prédio bicentenário, mas pela realidade que esta tragédia demonstrou e esfregou em nossas caras de cúmplices e omissos que somos.

O Museu Nacional estava sucateado há décadas, assim como estão todos os outros em nosso País. Aliás, não são somente os museus; são escolas, faculdades, hospitais, além da falta de estrutura em segurança, entre outros, ou seja, tudo que está sob a tutela dos serviços públicos e de responsabilidade da União dos Estados e dos Municípios.

Como puderam governos passados gastarem bilhões em estádios para a Copa de 2014 e outros bilhões nas Olimpíadas de 2016, enquanto o patrimônio e a estrutura pública estavam (e estão ainda) falidos? Isso foi de uma irresponsabilidade sem precedentes, e o resultado está aí.

Somos, sim, cúmplices e omissos. Cúmplices em eleger políticos, nos últimos 32 anos, que foram incapazes de governar, e omissos por permitir que a cada eleição continuemos admitindo que esses mesmos políticos corruptos se mantenham no poder surrupiando e lapidando o que é nosso. Então, porque lamentar já que temos nossa parcela de culpa?

Não reclame quando entrar num hospital público e não for atendido dignamente. Não reclame quando for assaltado, já que não há policiais e nem condições para garantir a nossa segurança. Não reclame quando seu filho não tiver o aprendizado necessário para entrar numa faculdade, ou o conhecimento suficiente para garantir um bom emprego. Não reclame dos políticos que aí estão.

Mais uma vez estamos vendo candidatos que continuam por lá há décadas. Até mesmo aqueles que já foram condenados por crimes de corrupção estão de volta, e ainda há aqueles que, mesmo presos, acham que têm direitos políticos e querem ainda governar. A maioria deles é um bando de corruptos e aproveitadores, uma verdadeira quadrilha que se instalou no País e levou o Brasil à bancarrota. E não são somente os políticos de agora – os do passado também.

Enquanto um país como o Brasil continuar gastando o que gasta no Poder Legislativo, Executivo e Judiciário; além da absurda e gorda máquina pública que o País tem, nada mudará. Não existe nenhum balcão de negócios mais rentável, e que faz qualquer um enriquecer em pouquíssimo tempo, como as instituições governamentais deste País. E concluo que isso está alicerçado nos três poderes, e na estrutura da nossa República Federativa.

Por que temos tantos funcionários públicos com salários astronômicos, como ascensoristas e motoristas do Congresso que ganham mais de R$ 23 mil por mês?

Se o Brasil não passar por PROFUNDAS reformas políticas, tributárias, administrativas, previdenciárias, trabalhistas, legislativas e judiciárias, não sairemos da situação na qual nos encontramos. Para isso, devemos fazer só uma coisa: votar com consciência, descartando aqueles que nos traíram e nos usaram, e dar uma chance para quem tem ficha ilibada como político e histórico de atuação séria e produtiva no País. Difícil, né? Não! Basta pesquisar para encontrar esses políticos. E a internet é nossa grande aliada neste compromisso como cidadãos brasileiros que somos! Chega de assistirmos ao nosso País arder nas chamas da corrupção, do descaso, da irresponsabilidade e da ganância da grande maioria dos políticos brasileiros.


 

Diretor do Grupo SP de Comunicação

Jornalista e Editor dos jornais SP e do portal de notícias SP Norte.

samirtrad@terra.com.br



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