Marcelo Segredo

Marcelo Segredo | Administradoras de cartões enganam comerciantes

Vendas feitas nos cartões de crédito são repassadas a menor

Cheque e dinheiro vivo são coisas que sumiram das carteiras dos brasileiros, há vários anos. Hoje, predomina o dinheiro de plástico ou, se você preferir, os cartões de crédito. 80% das vendas feitas são por meio dos cartões de crédito, contra apenas 20% em dinheiro. Fora o aluguel das maquininhas, os comerciantes pagam para as administradoras de cartões um percentual de 4,5% sobre cada venda feita no débito automático, em média. Já nas vendas a crédito esse percentual pode chegar a 9%. É por esse motivo que a maioria dos comerciantes acaba oferecendo um desconto de 10% para o pagamento à vista.

Comerciantes não confrontam extratos da administradora com o da conta-corrente

Nossos dias parecem não ter mais 24 horas, passam muito rápido, as horas voam, e o comerciante, no geral, dadas as suas atribuições, acaba não tendo tempo sequer de conferir os extratos da conta-corrente, quanto mais auditar os lançamentos de vendas feitas no cartão de crédito com os extratos da conta-corrente bancária, onde as vendas são creditadas. E é exatamente aí que ocorrem as fraudes por parte de algumas administradoras de cartão de crédito.

Juros cobrados são superiores aos juros contratados

Ao contratar os serviços de uma administradora de cartões, um contrato é assinado, no qual constam as taxas de juros vigentes e, com frequência, as administradoras entram em contato com os lojistas oferecendo juros diferenciados para antecipações de vendas, dentre outras promoções, porém nenhum documento é enviado ao comerciante para formalizar isso, momento em que ficam abertas as portas para as irregularidades. A maior incidência de “erros” ocorre em datas comemorativas e festas de final de ano, ou seja, no momento em que o comerciante está preocupado em vender mais.

Perícia Contábil comprova irregularidade

Já atuamos também em várias situações em que a operadora informa ao comerciante que será cobrada taxa de juros de 4,5% sobre cada operação, mas, na verdade, está cobrando 4,85%, por exemplo, numa compra de R$ 100, em vez de cobrar R$ 4,50. Cobra R$ 4,85, apenas R$ 0,35 centavos a mais. Imagine isso sobre um grande volume de vendas durante vários anos.

Cielo deixou de repassar compras para comerciante

A comerciante Zilma utilizava a maquininha da CIELO há vários anos e tinha por hábito conferir todos os lançamentos e os confusos relatórios que eram emitidos pela administradora de cartões, periodicamente. Em dezembro de 2014, época do ano em que aumentam os volumes de vendas, começou a perceber que algumas vendas não estavam sendo pagas pela CIELO.

Ela não conseguia entender os cálculos da operadora. Após realizar a perícia contábil nos extratos, nossa equipe identificou que R$ 8.500 deixaram de ser repassados para ela. Não se espante, é comum operadoras de cartões agirem dessa forma, principalmente com empresas que acumulam grandes movimentações diárias com cartões de crédito. A comerciante Zilma já conseguiu receber sua indenização de R$ 17 mil da Cielo.

Pizzaria deixou de receber R$ 47 mil

A proprietária de uma pizzaria da Zona Leste de São Paulo também ficou desconfiada de que existia algo de errado; a conta não fechava. Nossa equipe então fez uma perícia contábil nos extratos da operadora e da conta-corrente em que os créditos eram depositados, e encontramos, num período de quatro anos, que um montante de R$ 47 mil que deixaram de ser repassados para a comerciante.

Os bancos apostam na falta de informação e de conferência de lançamentos de seus clientes; abusam da credibilidade e confiança que as pessoas lhes conferem, mas deixaram um recado importante: Não confie nos bancos.


marcelo-segredoConsultor financeiro, palestrante, ex-presidente da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor), criador da “Clínica Financeira” e “Casamento & Negócios”, diretor presidente da Marcelo Segredo Assessoria Empresarial
Fone: 3360-2902
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