Zona Norte

Parques da região são reabertos

Nos últimos dois anos, a primeira edição do SP Norte de janeiro de 2016 e de janeiro de 2017 estampou em sua capa: o alerta contra a dengue. Agora, 2018 nos apresenta um outro cenário, e ainda mais desafiador e perigoso que os anteriores: a febre amarela.

Se o início do surto, em setembro de 2017, afetou principalmente a Zona Norte – e mobilizou toda a população para uma corrida nos postos de vacinação – hoje, a doença já despertou o alerta para fora das fronteiras do Estado de São Paulo (leia mais ao lado).

Na região, foram vacinadas aproximadamente 1,2 milhões de pessoas – metade da população. O objetivo é imunizar todos os bairros da Zona Norte, e a vacina está disponível em 90 postos de saúde.

Na última quarta-feira (10/1), o Horto Florestal (foto no topo; de arquivo) e Parque Estadual da Cantareira foram reabertos – estes foram os primeiros a serem fechados no início do surto de febre amarela, em outubro. O Parque Ecológico do Tietê, na Zona Leste, também foi reaberto na mesma data.

Depois de alcançar as metas de vacinação dos moradores do entorno, a decisão de abrir os espaços verdes é acompanhada de um aviso: quem for visitar os locais, precisa ter tomado a vacina pelo menos dez dias antes. Não haverá “fiscalização” nos parques, mas o governo do Estado afirmou que conta com a “responsabilidade” da população.

Vacinação chega a outros Estados; mortes pelo vírus foram confirmadas em Guarulhos e Mairiporã

Com o objetivo de bloquear o avanço da febre amarela para o resto do país, 75 cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia estão com campanhas de vacinação em andamento. A estimativa é que aproximadamente 19,7 milhões de pessoas sejam vacinadas, e a medida é tratada como “emergencial” pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros.

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Antes, na Capital, outras regiões já iniciaram campanhas. Bairros da Zona Leste, Oeste e do extremo Sul foram imunizados e, como medida preventiva, mais parques foram fechados no final de dezembro – são 23 espaços fechados, até o momento.

No mesmo período, dois macacos foram encontrados mortos por conta do vírus em Guarulhos. Na última segunda-feira (8/1), um homem de 69 anos veio a falecer de febre amarela, e a suspeita é que tenha contraído a doença na cidade de Nazaré Paulista.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Já em outra vizinha, Mairiporã, que já possui 90% dos moradores vacinados, a situação é mais grave: duas pessoas morreram de febre amarela, depois de visitarem a região, próxima à Serra da Cantareira – as vítimas não estavam imunizadas. Outras sete pessoas morreram, e há 25 casos suspeitos na região.

Com as mortes, a Secretaria de Saúde ampliou a vacinação para todo o Estado. A região de Mairiporã também observou a morte de 22 macacos, no fim de 2017.

Em todo o Estado, desde o início de 2017, foram confirmados 29 casos de febre amarela silvestre, autóctones, quando a transmissão é feita por mosquitos em áreas de mata. Destes, 13 vieram a óbito.

Dose fracionada dura oito anos

O termo pode causar confusão, ou assustar os desatentos. A dose fracionada significa que a vacina será aplicada com uma dose menor – e não em “partes”, como alguns podem confundir –, que dura entre oito e nove anos. Já a dose integral é válida por toda a vida, conforme determina a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O objetivo é imunizar um número maior de pessoas, em todo o Brasil. No país, este já é o maior surto de febre amarela da história desde 1980: foram confirmados 777 casos e 261 mortes entre dezembro de 2016 e junho de 2017.

foto: André Borges/Agência Brasília

A dose fracionada equivale a 1/5 da integral, e será aplicada, principalmente, em cidades próximas ou com grande concentração de mata. Na Capital, vale o mesmo raciocínio: como exemplo, distritos como a Sé ou a região da Av. Paulista serão as últimas a serem alcançadas pela campanha, conforme afirmou o Secretário Estadual de Saúde, David Uip. A aplicação da imunização fracionada será realizada em 53 cidades, e em 15 distritos da Capital.

INFORMAÇÕES

Medidas preventivas

Aplicar repelente e inseticida são medidas preventivas contra a presença do mosquito transmissor, bem como evitar perfumes em áreas de mata e usar telas e mosqueteiros.

Sintomas

Os sintomas iniciais incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza, geralmente de três a seis dias depois da infecção pelo vírus.

Em casos graves, a pessoa pode ter febre alta, desenvolver coloração amarelada da pele e do branco dos olhos (icterícia), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Entre 20% e 50% das pessoas com a fase grave da doença grave podem vir a óbito.

Em caso de detectar algum desses sintomas, é importante procurar médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas, sobretudo de a pessoa realizou atividades em áreas rurais, silvestres ou de mata, como pescaria, acampamentos, passeios ecológicos, visitação em rios, cachoeiras ou mesmo durante atividade de trabalho em ambientes silvestres.

Quem não pode tomar a vacina

A vacina contra febre amarela não é indicada para gestantes, mulheres amamentando crianças com até 6 meses e pessoas imunodeprimidas, como pacientes em tratamento quimioterápico, radioterápico ou com corticoides em doses elevadas (portadores de Lúpus, por exemplo). Em caso de dúvida, é importante consultar o médico. Bebês menores de nove meses e mulheres que amamentam até este período também não podem tomar a vacina.

O efeito da vacina não é imediato: é preciso 10 dias para que a substância proteja de maneira efetiva o corpo.

Macaco não transmite vírus

Apesar do temor da população, os primatas não transmitem o vírus para seres humanos. Os animais estão sob monitoramento, e os macacos infectados foram acometidos por mosquitos do tipo silvestre, dos vetores haemagogus e sabethes. Os insetos, porém, transmitem a doença tanto para humanos quanto para animais.

A febre amarela urbana, que não possui casos registrados desde 1942, é transmitida por um velho conhecido: o aedes aegypti.

foto (topo): Arquivo/Governo do Estado/Diogo Moreira



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