Zona Norte

Acidente aéreo reacende debate sobre a desativação do Campo de Marte

:::Ana Cláudia Sacomani

O acidente que matou sete pessoas no sábado (19/3), na Casa Verde, reacende o debate sobre a desativação do Campo de Marte. O desligamento do aeroporto foi sugerido no Plano Diretor da cidade, apresentado em 2013 pela Prefeitura de São Paulo.

Apenas os helicópteros continuariam a utilizar o espaço. O objetivo é incentivar a urbanização da região. Porém, em 2014, o então Ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, descartou a possibilidade de desativação. “Se não tivermos uma alternativa de oferta para cumprir a obrigação de garantir conforto, segurança e tranquilidade aos passageiros, não podemos pensar em desativar”, afirmou o Ministro, na época, após reunião com o Prefeito Fernando Haddad e o Presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Gustavo do Vale.

Pelo fato de a região ser constituída de imóveis residenciais, em outubro do ano passado entrou em vigor uma portaria da Aeronáutica que reduz em até cem metros a altura de novas edificações no entorno dos aeroportos.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o representante da aviação geral do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Raul Marinho Gregorin, afirmou ser contra a desativação. “Quando um acidente acontece, essa questão é retomada. Eu, particularmente, sou a favor de que [o aeroporto] continue funcionando, mas a sociedade vai precisar discutir”, disse durante a entrevista. Ele ressalta, ainda, que, caso a opção seja a desativação, a cidade precisa encontrar alternativas.

Com acesso próximo à Estação Santana do Metrô, o aeroporto opera exclusivamente com aviação executiva, táxi-aéreo e escolas de pilotagem, como o Aeroclube de São Paulo. Também estão hangarados no aeroporto o Serviço Aerotático das polícias Civil e Militar. Embora o Campo de Marte não tenha linhas aéreas regulares, é um dos maiores aeroportos em movimento operacional no Brasil.

O aeroporto tem infraestrutura que permite pouso e decolagem noturno em uma pista de 1.600 metros, com recuo de 450 metros e um heliponto. No sítio aeroportuário estão instalados 23 hangares para a aviação executiva e 36 concessionários. A Infraero administra o Aeroporto Campo de Marte desde 1o de fevereiro de 1979.

Acidente

A aeronave era um monomotor de prefixo PRZRA, que decolou às 15h20 com destino ao Aeroporto Santos Dumont (RJ), mas caiu três minutos depois sobre uma residência na Rua Frei Machado. Pertencia ao Ex-Presidente da Vale, Roger Agnelli, morto no acidente com sua mulher Andrea e os filhos João e Anna Carolina, a nora e o genro.

Segundo a Infraero, o monomotor era uma aeronave experimental, com fuselagem de fibra de carbono e equipamentos instalados pelo proprietário após a aquisição do modelo. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) informou que esse tipo de aeronave não tem permissão para sobrevoar áreas densamente povoadas, como é o caso do local onde ocorreu a queda.

O Aeroporto Campo de Marte já foi palco de outros acidentes graves. Em 24 de novembro de 1995, um avião Cesnna caiu sobre dois carros e explodiu na Av. Santos Dumont. Outra tragédia ocorreu no mesmo mês, em 2007, quando um Leajert caiu sobre três imóveis na Casa Verde, causando a morte de seis pessoas da mesma família e dois tripulantes.



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