Editorial

Editorial | As PPPs de Doria

Sobrevivemos – e estamos sobrevivendo – a 2017. Próximo de seu fim, o ano que marca o primeiro quarto do governo do Prefeito João Doria (PSDB), definitivamente, não passou despercebido. Para o bem e, muitas vezes, para o mal.

Eleito de maneira recorde, no primeiro turno, Doria colocou seu slogan de campanha – “acelerar” e seus derivados – logo nos primeiros dias: empunhou vassouras, vestiu-se das várias profissões que compõem a massa trabalhadora de serviços da Prefeitura, apareceu no Facebook tal qual um artista – que, convenhamos, também o era antes de ser Prefeito – entre outras muitas oportunidades para estar em foco.

Ao empunhar vassouras, colocou o tema da limpeza de São Paulo em evidência, com ações – comuns e obrigatórias – de zeladoria. Tanto empenho não se traduz de maneira efetiva: apesar dos mutirões pontuais, as ruas continuam sujas: uma varrida “aqui”, uma pintura (malfeita) de guias e postes “ali”.

Fora do gabinete, viajou – aliás, está em São Luís do Maranhão no momento em que este Editorial é escrito. Seus deslocamentos Brasil afora levantaram a bola para uma possível disputa à Presidência no próximo ano: Doria teria que abandonar a Prefeitura com menos da metade do mandato, o que certamente desagradaria aqueles que lhe depositaram extrema confiança. A candidatura, porém, não “decolou”: as pesquisas de opinião indicam porcentagens mínimas para o Prefeito.

Passam de duas mãos a quantidade de polêmicas com as quais João Doria se envolveu em tão pouco tempo de mandato. Aliás, apesar do substantivo “polêmica” indicar algo supostamente grave, essas podem ser chamadas, mais adequadamente, de “picuinhas”.

De pronto: a demissão de secretários e prefeitos regionais, as já faladas viagens, as intervenções na Cracolândia, o combate às pichações, o uso de alimentos reprocessados (a “farinata”)… Entre um e outro, picuinhas como o bate-boca com Alberto Goldman (Vice-Presidente nacional tucano, partido de Doria), a rosa jogada ao chão depois de uma discussão com uma ciclista, a mudança de nome do bairro Bom Retiro para “Bom Retiro Little Seul” por conta dos imigrantes que lá vivem, o vídeo inconsequente de críticas a um jornalista da Folha de S.Paulo – em um desrespeito à atividade profissional e com resquícios de perseguição (e um pouco de infantilidade) – a “falsa nomeação” de Magic Paula, do basquete, de um programa que implantaria quadras na cidade (ela sequer foi consultada). Como muitos afirmam, “são tantas, que não dá nem para lembrar”.

A mais recente também envolve personalidades: os compositores Marisa Monte e Arnaldo Antunes consideram que Doria usou ilegalmente uma canção feita em parceria dos dois em um vídeo de obras da Prefeitura no Parque Ibirapuera.

É o tipo de notícia que não deveríamos ver de um prefeito e uma prefeitura que se anunciou como “competente” e que “reuniria os melhores profissionais”. Será que, por conta da avalanche de notícias em que somos expostos, Doria também acabou por ser tragado e exposto? Ou será o contrário: já que é preciso estar em todos os lugares – a que custo for – entrou na onda, não importando se é uma notícia benéfica aos paulistanos ou que danifica a imagem do alcaide frente à administração municipal.

Tão afeito à iniciativa privada e parcerias, como as PPPs (parcerias público-privadas), João Doria também está ligado a outra PPP: as picuinhas polêmicas do prefeito.

Foto: Fotos Públicas/Instagram



Topo