Esporte

Esperia faz mobilização contra medida provisória de Temer

O ano de 2018 começou tenso para várias áreas na economia. Cortes no orçamento, dólar nas alturas, desemprego crescente estão entre os ingredientes da receita de como implodir (ou quase) um país. Como se não bastassem os cortes do (des)governo do quase unânime (negativamente) Presidente Michel Temer (PMDB), mais setores da sociedade serão atingidos pelo toma lá, dá cá que se tornou o dinheiro nacional.

Foto: Alan Santos/PR

Depois de sofrer uma redução de 87% no orçamento em 2018, quando comparado com 2017, o Ministério do Esporte se vê em outra sinuca de bico. Além das prováveis reduções em verbas destinadas a modalidades esportivas – isso, quando as confederações possuem, já que muitas estão à revelia – uma nova mudança pode afetar (ainda mais) o esporte brasileiro.

A medida provisória 841/2018, que dispõe sobre mudanças na segurança pública do país, indica uma drástica redução dos valores repassados ao Ministério do Esporte por meio de outros repasses de recursos das loterias. Estima-se que a mudança destine 78% do valor anteriormente dedicado ao esporte para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).

O impacto no orçamento esportivo pode chegar à perda de pelo menos R$ 235,9 milhões – isso considerando apenas o Ministério do Esporte, já que a verba das loterias também é destinada a comitês (como o Olímpico Brasileiro) e às secretarias estaduais.

Nesse cenário, um dos clubes mais tradicionais de São Paulo se posicionou contra a medida de Temer. O Clube Espéria, no último sábado (30/6), reuniu atletas, associados e diretores para protestarem contra as mudanças. Vestindo camisetas pretas, os esperiotas veem com apreensão a situação.

“Retrocesso”, “equívoco”: confira reações

“Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para impedir que essa medida seja aprovada. Colocamos computadores na entrada do Clube para que as pessoas possam votar [em enquete no site do Senado] contra e estamos trabalhando na conscientização para que saibam o retrocesso que sua aprovação significará para o esporte”, afirma o Presidente Osmar Monteiro.

O clube estima que 700 atletas deixariam de treinar, e 40 técnicos seriam dispensados. Para Monteiro, a aprovação traria “danos irreparáveis para o esporte brasileiro”, fazendo com que milhares de atletas sejam dispensados de projetos de formação esportiva. “Não perderemos somente grandes atletas e paratletas, que terão seus sonhos destruídos e anos de preparação perdidos, mas também a chance de contribuirmos para a formação de grandes cidadãos”, comenta.

De acordo com o Presidente do Esperia, o clube é um dos que mais possui projetos aprovados no Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e as verbas são destinadas para pagamento de salários, compras de equipamentos e subsídio de atletas, como transporte e hospedagem.

A possível mudança causou perplexidade no mundo esportivo brasileiro. Atletas, como o velejador e medalhista olímpico Lars Grael, consideram um “enorme equívoco”. Já o judoca e Presidente da comissão de atletas do COB, Tiago Camilo, considera que o investimento em esporte deveria ser ainda maior, pois traz resultados “a médio e longo prazo para a nossa juventude” e que “todo processo de evolução ou melhora social passa pelo esporte”.

A medida provisória ainda está em tramitação. O esporte, por outro lado, segue seu duro caminho promovido por um (des)governo claudicante.

fotos: Facebook/Clube Esperia



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