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“O público que define se o humor é politicamente correto ou incorreto”, diz Ary Toledo

O humorista Ary Toledo comemora 53 anos de carreira em 2018. Para celebrar tal feito, o artista percorre por vários palcos do Brasil, com o espetáculo Ary Toledo 5.3. Em São Paulo, a zona norte não ficou de fora: o show é nesta quinta-feira (18/10), no teatro Isaac Newton, em de Vila Gustavo.

Dono de um humor único e irreverente, o humorista recebeu a equipe de reportagem do SP Norte, na tarde de quinta-feira (11/10), onde cedeu uma entrevista exclusiva. Durante o bate papo, o artista falou sobre seu acervo de 65 mil anedotas, a nova geração do humor e o politicamente correto.

“Cheguei aos 53 anos de carreira colecionando muito sucesso, graças a Deus! Nunca tive fracassos, e me orgulho muito por isso. E não quero parar! Estou com 81 anos, então ainda tenho uns 30, 40 anos pela frente!”, diz Ary.

Politicamente (in) correto?

O show de Ary não tem restrição: desde o famoso “Joãozinho”, até a sogra, o português e políticos: nada escapa de suas piadas. Porém, segundo o comediante, o humor tem limite, como tudo na vida.  “O limite do humor é o riso. Se você contar uma piada e não provocar risada, aí está o limite do humor. Se você contar uma piada e alguém se sentir ofendido, vai te acionar judicialmente, é um direito dele, aí está o limite do humor”, diz.

O humorista explica que nunca se preocupou com a questão do politicamente correto. “Eu coloco o humor para o público e ele define se o espetáculo é politicamente correto ou incorreto. Até hoje não tive nenhuma reclamação, e é muito bom não ter esse tipo de preocupação. A minha preocupação é levar o riso às pessoas através do meu trabalho, sem exageros”, explica.

Novo e velho humor

Ary cita como exemplo os novos stand-ups que usam palavrões em escala nas apresentações. “O público deles é jovem, que gosta de ouvir esse tipo de piada. Já os contemporâneos como eu, não podemos usar palavrão como se fosse vírgula. Eu acho que o palavrão tem que ser dito com elegância, com respeito. Usar o palavrão de minuto a minuto não pode”, pontua.

Segundo o artista, o stand-up não tem raízes americanas, e sim, brasileiras. “A Dercy Gonçalves, por exemplo, já fazia esse tipo de show na década de 1930. Enquanto trocavam o cenário da peça, ela ficava no palco divertindo o público com seu stand-up”, relata.

O comediante recorda que na época em que começou havia pouquíssimos humoristas. “Tinha eu, Juca Chaves, Chico Anysio, Costinha. Costumo brincar que dava para contar nos dedos da mão do Lula e, hoje, já podemos contar nos dedos dos pés de uma centopeia. São muitos, temos milhares de humoristas que surgem na internet, o que acaba banalizando um pouco o humor”, reflete.

Acervo para a posteridade

Com um acervo de mais de 65 mil piadas, Ary Toledo quer deixar uma contribuição para o humor universal. “Quero fazer a doação desse acervo para que seja usado, usufruído pelos futuros humoristas que irão surgir nas próximas gerações. Grande parte desse acervo é de minha autoria, outra parte é adaptada por mim. E quero fazer essa doação em vida. É a contribuição que irei deixar”, explica.

Ao término da entrevista, Ary fez questão de deixar uma mensagem aos leitores, dizendo que o riso é um fenômeno universal e a ciência já provou que as pessoas bem-humoradas são menos suscetíveis a doenças relacionadas ao coração. “Olhe bem para mim e pense comigo: vamos viver a vida com um sorriso nos lábios. Se a vida te der um limão, faça uma limonada; se a vida te der uma goiaba, faça uma goiabada; se a vida te der um cágado, dê esse cágado de presente a um amigo”, conclui Ary.

A entrevista com Ary Toledo foi ao ar no último sábado (13/10) no programa SP Norte, transmitido pela Rádio Atual e em nossa página do Facebook. Para assistir o vídeo com a entrevista completa, acesse AQUI.



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